Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]


mailbox.JPG

FONTE

 

 

Morava nesta casa há uns dois anos, quando a minha J., teve um grande desgosto de amor com seu primeiro namorado. Do alto da minha falta de experiência com relacionamentos sérios, dei-lhe um conselho que ela nem sempre segue, mas lhe ficou para a vida toda: não é ele a tua pessoa, tens de procurar alguém que te iguale ou supere.

 

Ela pegou logo no marcador colorido (já não me consigo recordar se era azul ou verde) e escreveu no quadro branco do quarto que partilhávamos: "Alguém que me iguale ou supere". Ficou muito tempo exposto no quarto que continuou a ser das duas, depois foi só dela. Mas ainda hoje, se formos a Viana do Castelo e espreitarmos o quarto da J. em casa dos pais, está escrita a mesma frase no mesmo quadro, só pendurado numa parede diferente - esse conselho que eu lhe dei, essa frase pela qual tentámos orientar-nos sempre, com as várias pessoas com quem nos fomos cruzando.

 

Por um motivo ou por outro, por muito que já tenha gostado de algumas pessoas e (ou) elas de mim, nunca achei que cumprissem esta frase. De alguma forma sempre me senti superior - presunção minha, eu sei. E sem esse reconhecimento, não podia nunca ter-me apaixonado verdadeiramente.

 

Independentemente do que o futuro nos reserve (ou talvez do que nós reservamos para o nosso futuro), tu és o primeiro que, para mim, cumpre esta velha máxima de um par de amigas tolas. Tu igualas-me ou superas-me. Fazes-me sentir grande com as tuas palavras e o teu carinho por mim, e pequenina no teu colo protector ou debaixo do teu olhar terno.

 

Tenho por ti o respeito e a admiração que ninguém me conseguiu arrancar. Podes sonhar como um menino e brincar como um rapaz, mas tens todos os traços de um Homem: da forma como me tratas, à forma como te relacionas com a tua família e com os teus amigos; da responsabilidade com que vês o teu trabalho, à tua paixão pela música e pelas tuas ambições.

 

E é por considerar que me igualas ou superas que és tão diferente de todos.

E me fazes a mim ser diferente também. Para melhor.

 

Não vamos chamar a este conjunto de parágrafos uma carta de amor. Chamemos-lhe só um e-mail de agradecimento, por me fazeres gostar mais de ti todos os dias: de cada vez que me dás a mão, quando me apertas ao ouvir determinada música, se me tocas no joelho quando vamos no carro e eu estou mais calada, quando dizes que me adoras no meio de uma conversa que nem tem nada a ver, se fazes um desvio para me dar um beijo ou simplesmente me lembras que te lembras de mim.

 

Sabe que nenhum gesto teu é menor ou esquecido.

 

Da tua,

M.

 

POR: Maria das Palavras (blog e facebook)

Autoria e outros dados (tags, etc)



Sobre mim